Sunday, June 18, 2006

escrever Direitos por linhas tortas...

Certas e determinadas coisas encontram-se, actualmente, socialmente viciadas.

Como é o caso do movimento pro-gay.
Neste momento, quem não manifesta uma postura activa na aceitação desse ramo da sexualidade pode correr o risco de ser considerado preconceituoso ou, pior, xenófobo.
Ser neutro nesse campo está out, está fora de questão.
Quanto a esta matéria, afirmo:
"Quero o meu direito à indiferença."

Outro bom exemplo é a globalização do hip-hop.
Nestes tempos que correm, é raro ligar a televisão num qualquer canal de música e não dar de caras com um video clip que é, se não na sua totalidade de natureza hip-hop, então um misto com a fusão de elementos desse género musical.
As grandes marcas já se renderam na publicidade a esta máquina social (atente-se no exemplo da música slogan da TMN), a produção de "novos talentos" irrompeu num boom típico de quantidade vs. qualidade, e as próprias pessoas que ouvem de forma assídua este tipo de música manifestam-no, na sua esmagadora maioria, nas suas roupas, na sua linguagem, na sua postura, no seu comportamento e na sua cultura.
Para onde quer que me vire, é difícil não me encontrar numa posição em que não exista uma sugestão ou uma ínfima alusão ao hip-hop.
E está claro e provado que objectos alvos de produção em massa estão condenados a cair na mediocridade, embora sejam vendidos ao público como algo de inegavelmente bom.
Quanto a isto, alego:
"Quero o meu direito à diversidade."

De uma forma nefasta, incluo também na lista o tabaco, essa praga disfarçada de vício privado.
É já um hábito social a realização das tão famigeradas "pausas para o cigarro".
Um vício degradante tornou-se a desculpa plausível para socializar e conviver um pouco com outras pessoas.
Aposto que se em vez da "pausa para o cigarro" eu convidasse outra pessoa para uma "pausa para leitinho e biscoitos", essa pessoa olharia para mim como se o único fundamento para o que tinha acabado de dizer fosse a gozação.
E porquê? Porque não seria algo já socialmente estabelecido.
Outro reparo: talvez não seja a coisa mais fácil de se perceber, mas alguns dos elementos fumadores do nosso mundo (e, meu Deus, que são tantos!) deveriam tomar nota de que quando puxam de um cigarro e o acendem, a nuvem de fumo a que dão origem não desaparece como que por artes mágicas. E também não se mantém suspensa sobre a pessoa se esta estiver em movimento.
Se em andamento, o fumo irá deixando o seu rasto. À semelhança de um comboio a vapor.
Isso é incómodo para quem circula atrás da pessoa fumadora.
Mas já é tão normal e banal a sucessão de situações dessas que já se tornou socialmente aceite.
Enfim, puxar de um cigarro num café ou numa esplanada já é tão natural como beber um copo de água.
É trivial. E igualmente nocivo. E injusto para a saúde de quem não fuma. Mas é socialmente aceite.
Por isso, proclamo:
"Quero os direitos sobre a minha própria morte."

E a lista continua:
desde status comportamentais a regras de boa etiqueta, desde televisão genérica a marketing via multimédia, desde jet set induzido a fenómenos de popularidade, são inúmeros (demasiados!) os casos de corrupção social que engrossam o leque de factos adulterados que fazem girar o Mundo de uma forma tão descontrolada.
E é com essas falsas morais, demagogias inertes na sua originalidade e bom gosto e códigos de ética desprovidos de bom senso que se vão criando dinâmicas que geram leis nos círculos sociais e que, mais do que lesar a afirmação da individualidade de cada um, restringe o Direito à Liberdade colectiva.

2 Comments:

At Wed Jun 21, 09:10:00 AM 2006, Anonymous Very Unlucky Guy said...

Muito bem dito!
Eu diria mesmo mais, seja eu homófobo ou não quero o meu direito a poder sê-lo desde que não prejudique os homosexuais. Seja eu ou nâo alérgico ao hip-hop ou a qualquer dessa miríade de géneros igualmente "pastilha elástica" que populam nas ondas Hertzianas hoje em dia, quero o direito a não ser obrigado a ouvi-los, desde que isso não entre em conflito com o direito de cada um a ouvir o que gosta. Seja eu ou não anti-tabagista, quero o direito de dizer alto e bom som que é preciso ser muito burro (ou não saber ler) para continuar a fumar quando a embalagem de tabaco diz "fumar mata", desde que com isso não ofenda deliberadamente quem se quer matar aos bocadinhos. E por aí fora...
Agora a verdade é que eu não sou homófobo, apesar de nunca me sentir bem ao pé de um gay (assumido ou não) porque não consigo entender como pode um homem não perceber como pode ser deliciosa um mulher. E não gosto de hip-hop, em geral, mas até ouço algumas coisas (por exemplo os nossos Da Weasel...). E se pudesse eliminnar todo o tabaco que existe neste planeta fá-lo-ia sem pestanejar, mesmo que isso fosse contra a ideia de não invadir a liberdade de quem fuma.
E, apesar de tudo o que escrevi (muito!!) continuo a revindicar para mim e para os restantes o direito de fazer o que cada um gosta, desde que não implique com o direito dos restantes. É contraditório, eu sei, mas é assim!!

 
At Sun Jul 02, 07:09:00 PM 2006, Blogger Leitão said...

Devo começar por dizer que... com a ideia geral concordo com as especificidades não...

Passo a tentar esclarecer...

Em relação ao primeiro ponto tenho dois comentários a fazer, em primeiro lugar não me parece que a sociedade (ou pelo menos o meio social especifico em que o autor destas linhas se encontra inserido se quisermos particularizar) esteja a realizar uma cabala para que toda a gente aceite a comunidade gay e tal... quer dizer não mais do que se faz para todos os outros valores culturais (inerentemente associados à existência de uma sociedade), mas quanto a este efeito social já lá vou porque isso diz mais respeito aos pontos seguintes, em segundo lugar quando depois de se escrever as linhas que foram escritas (passo à redundância) não me parece lógico que depois se peça o direito à indiferença, isto porque do meu ponto de vista pessoal, alguém que já pensou extensivamente num assunto ao ponto de escrever sobre ele, claramente já abdicou da sua indiferença neste processo... mas se não quisermos ir por aqui... então digamos que me custa a acreditar que alguém não formule uma opinião sobre uma situação quando se contacta com essa situação... e hoje em dia é impossível não ter já contactado com elementos da comunidade gay.

Em relação ao segundo ponto, compreendo a revolta que se sente neste aspecto, eu pessoalmente não sou grande fã do hip-hop, gosto de algumas coisas mas poucas, no entanto compreendo este fenómeno e não consigo sentir-me tão revoltado com ele como isso... isso porque o que agora está a acontecer com o hip-hop é perfeitamente normal... já aconteceu antes com um conjunto de outras coisas, o rock, o movimento hippie... A nosso sociedade funciona desta forma, existem ideias, modas, conceitos que se propagam a velocidades enormes e "tomam conta" de um elevadissimo número de indivíduos, conceitos ou modas essas que possuem um comportamento muito similar ao viral, sugerio a leitura do 11º capitulo do livro de Richard Dawkins: "the selfish gene" para uma melhor compreensão do fenómeno que estou a tentar descrever, ou então uma pesquisa pelo conceito "meme" no wikipédia ou coisa que o valha. Aliás, o movimento "pró-gay" que foi referido no ponto anterior também pode ser explicado com base na memética. Não estou a dizer que é bom que a sociedade sacrifique a "diversidade", mas a verdade é que a diversidade é algo dificil de se alcançar no sociedade humana.

Quanto ao terceiro ponto, o tabaco eu sou completamente contra o facto das pessoas fumarem, mas a verdade é que é um vicio socialmente aceite, ou se quisermos ver a coisa pela prespectiva memética, o meme do "tabaco" já alcançou uma grande maioria dos individuos da nossa sociedade, e é por isso aceite e são tomadas medidas "facilitadoras" do vicio, como por exemplo as salas de fumo. No entanto cabe agora a sociedade rectificar este erro, nomeadamente a existência de salas de fumo é completamente errada, por exemplo no ISEG, o pessoal do centro de informática que quer fumar sai para a entrada do edificio por forma a não prejudicar ninguém e apenas fumam ao ar livre, eu que não sou fumador, muitas vezes os acompanho pois esse é um local adequado para se terem conversas fora do ambito de trabalho :D .

Em relação aos pontos soltos que foram indicados no final do post, remeto-os a todos para o meu comentário relativo ao segundo ponto.

Pronto, peço desculpa pela pobreza de ideias, e de escrita deste meu comentário... mas a ausência foi longa... e ainda me sinto um pouco enferrujado... mas fica desde já aqui o agredecimento por ideias tão interessantes e contorversas :D

 

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